Vinho fora da roda dos alimentos, falta de anestesiologistas e obstetras e DSTs aumentam nos idosos

19 Julho 2019

Olá 🙂

A saída do vinho da roda dos alimentos está a ser discutida por um grupo de trabalho a pedido da Direção-Geral da Saúde (DGS), no âmbito do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS).

No roteiro de ação para 2019-20, o programa prevê a revisão da roda dos alimentos, uma vez que a anterior foi elaborada em 2003. Após esta data, foi apenas desenvolvida a roda dos alimentos mediterrânea em 2016, onde foram destacados os produtos mais característicos da cultura nacional, os quais incluíam o consumo moderado de vinho.

Segundo a diretora do PNPAS, Maria João Gregório,

“A evidência mais recente diz-nos hoje que não há qualquer nível de ingestão de álcool que possa ser considerado seguro e sem riscos para a saúde. A Organização Mundial da Saúde atualmente recomenda consumo zero”.

A DGS pretende também cortar no consumo de sal em alimentos habitualmente consumidos pelos portugueses, como o queijo e o fiambre. Um estudo realizado com o apoio da OMS concluiu que anualmente poderiam ser salvas 798 pessoas caso o nível de sal, açúcar e ácidos gordos dos alimentos fosse reformulado.

Ainda sobre a alimentação: a DGS quer também proibir dois terços dos produtos alimentares à venda em máquinas automáticas. Um estudo da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor e da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto apurou que a fruta fresca está apenas presente em 3% destas máquinas. No entanto, todas as 135 máquinas analisadas continham doces e apenas uma em cada três disponibilizava sanduíches saudáveis.

A polémica em torno da falta de médicos continua. O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alertou para a falta de 152 médicos nos quadros do Instituto de Medicina Legal.

O SIM refere que vão ser apenas integrados no quadro 10 assistentes graduados, havendo uma “discriminação em relação aos médicos do SNS”.

Segundo o SIM, esta injustiça tem levado a que “muitos médicos legistas tenham abandonado a carreira médica aumentando com a sua falta os constrangimentos no seio do instituto que se vêm tornando do domínio público”.

Na Maternidade Alfredo da Costa (MAC) a falta de anestesiologistas está a pôr em causa a realização de cirurgias por tempo indeterminado. No entanto, o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), a que a MAC pertence, garantiu que esta situação vai ficar resolvida com a contração de profissionais em regime de prestação de serviços.

Segundo a Diretora Clínica da MAC, Clara Soares, os médicos serão contratados a 43,5 euros à hora.

Porém, a Ministra da Saúde afirmou que não vai desistir de dotar a MAC de um quadro permanente de anestesiologistas, de resolver as falhas existentes nesta maternidade e ainda de rever toda a assistência ginecológica e obstétrica na zona de Lisboa.

Ainda assim, e apesar de não querer “desfocar daquilo que é a necessidade de resolver o problema estrutural, a falta de anestesistas da MAC”, Marta Temido está a analisar as propostas de prestação de serviços.

Nem o pagamento de 40 euros por hora aos médicos tarefeiros está a conseguir preencher as escalas das urgências obstétricas em Lisboa em agosto e setembro. Assim, e já muito perto do prazo estabelecido pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo para encontrar uma solução que evite o fecho rotativo das urgências das maternidades de Lisboa, ainda existem muitos “buracos” por preencher no próximo mês.

Ainda sobre o SNS: cerca de 2,7 milhões de portugueses não são capazes de pagar taxas moderadoras devido a insuficiência económica.

Dados da Administração Central do Sistema de Saúde indicam ainda que existem no SNS mais de 5,7 milhões de utentes que estão isentos do pagamento de taxas moderadoras. Apesar de o número de utentes isentos estar a diminuir, a quantidade de pessoas que receberam isenção por incapacidade tem aumentado. No ano passado, mais de 260 mil utentes do SNS estavam isentos de pagar taxas moderadoras por terem incapacidade física igual ou superior a 60%.

A propósito das taxas moderadoras, esta semana ficou decidido que o fim destas taxas nos centros de saúde vai passar para a próxima legislatura.

Boas notícias: o serviço virtual do Balcão Único de Atendimento (BUA) do CHULC arrancou com novas funcionalidades e passa a permitir a marcação de exames, o pagamento de taxas moderadoras e a obtenção de declarações de presença em consultas e exames.

Segundo o Ministério da Saúde,

“o BUA do CHULC é o balcão virtual de cuidados hospitalares mais desenvolvido do país”.

Por último: em 2018 o número de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST) como gonorreia, sífilis e clamídia aumentou 33% comparativamente com 2017, em 2558 registos.

Apesar da incidência destas doenças ser maior nas faixas etárias mais jovens, verificou-se que as DST estão também aumentar nos indivíduos com mais de 65 anos. Este fenómeno, que está também a ocorrer no resto da Europa, já levou a que a DGS colocasse peritos “nacionais a estudar e a acompanhar a sua evolução e emitirá as recomendações necessárias”.

Segundo dados da DGS, as notificações de gonorreia foram as que mais aumentaram. Por outro lado, a DST com mais registos é a sífilis: a faixa etária acima dos 65 anos registou mais casos do que a dos 55-64 anos.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

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Lê o artigo de opinião escrito pelo Tiago Villanueva, o editor-chefe da Acta Médica Portuguesa na secção What´s Up, Doc? da Tonic App. Vais ficar a saber o que é ser editor-chefe de uma revista médica em Portugal. 📚

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Bom fim de semana,

Sofia Fernandes

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