600 jovens médicos sem vaga, novas medidas para a humanização do SNS e a dívida do Instituto do Sangue

06 Setembro 2019

Olá 🙂

O próximo concurso de formação especializada vai deixar de fora cerca de 600 jovens médicos, de acordo com uma estimativa avançada por uma das responsáveis pela organização do Congresso Nacional do Interno de Formação Geral, Patrícia Pita Ferreira.

Porém, segundo a Ordem dos Médicos (OM), o número de vagas que vai abrir no próximo concurso irá ser superior face aos últimos anos. De acordo com a OM, serão “entre 1800 a 1850, quando ainda falta fechar o mapa de duas especialidades”.

Patrícia Pita Ferreira lembra que o número de médicos sem especialidade disparou desde 2015, ano em que, pela primeira vez, o número de vagas do concurso de formação especializada foi menor que o total de candidatos. Nesse ano ficaram de fora 40 jovens médicos, em 2016 mais de 100, e agora várias centenas.

Segundo estimativas da Associação dos Médicos pela Formação Especializada, o número de médicos indiferenciados poderá ultrapassar os quatro mil em 2021.

A questão da falta de médicos continua a ser debatida. O Presidente do Conselho Nacional da Pós-Graduação da OM, Carlos Cortes, acredita que o problema está no internato médico e na dificuldade em formar médicos especialistas e não no número de estudantes de medicina.

Carlos Cortes defende que “é preciso ir aos serviços e corrigir os problemas em termos organizativos, as faltas que têm sido detetadas (…) e colocar os especialistas nos sítios certos para poderem formar mais médicos”.

Miguel Guimarães acrescentou que o número de vagas de formação poderia sofrer um aumento de “300 a 400 se capacitássemos a sério os hospitais nas deficiências que têm, dando formação aos hospitais que não têm e mais vagas a outros”.

O Bastonário insistiu que não é o país que tem falta de médicos, é o SNS.

Sobre a humanização do SNS: doentes vão ter um médico ou enfermeiro responsável pelo diálogo e comunicação dentro dos hospitais.

Esta é uma das várias medidas previstas no Compromisso para a Humanização Hospitalar, que foi esta semana assinado por 49 unidades do SNS. Os profissionais de saúde também vão ter que tratar o doente pelo nome que este deseja, bem como fornecer informações numa linguagem simplificada para que sejam tomadas “decisões informadas”.

Nas instituições aderentes a este compromisso, que têm um prazo de três meses para apresentarem um plano de ação, estão ainda previstas outras medidas tais como: melhoria da sinalética do hospital, adequação do regime de visitas, bem como criação de condições para que os utentes tenham uma maior privacidade aquando da realização de exames, na consulta externa, no internamento e na urgência.

Para os profissionais de saúde está também previsto investimento em salas de lazer e espaços para refeições, cerimónias de receção aos novos profissionais e a aplicação de técnicas de psicologia positiva.

Passando para outro tema: a dívida das entidades públicas ao Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) atingiu os 83,3 milhões de euros em 31 de dezembro de 2018 e comprometeu a realização de alguns procedimentos.

Segundo o IPST, até ao dia 31 de Julho, a mesma dívida era já de 75,8 milhões de euros.

O relatório de atividades de 2018 do IPST refere que procedimentos de aférese não puderam ser realizados porque houve “processos de aquisição, nomeadamente de reagentes, arrastados no tempo, aguardando fundos disponíveis”. Consequentemente, ocorreu uma “perturbação ao desenvolvimento regular da atividade, condicionando as marcações de sessões de aférese”.

O Presidente da Federação de Associações de Dadores de Sangue, Joaquim Mendes da Silva, mostrou-se preocupado com a dívida, uma vez que esta já é “bastante grande”.

Confrontado com esta notícia, o Ministério da Saúde afirmou que “está a acompanhar a situação identificada pelo IPST” e que “já foi traçado um plano de pagamento regular das dívidas”.

O Ministério da Saúde acrescentou ainda que o IPST mantém a sua atividade regular e que, “em termos orçamentais, não existe qualquer constrangimento ao seu normal funcionamento”.

O Presidente da República espera que de facto a dívida seja regularizada, porque o “instituto é uma peça fundamental do Serviço Nacional de Saúde”.

Boas notícias: Portugal vai ter um centro de terapia do cancro baseado em protões que irá estar localizado no Campus Tecnológico e Nuclear, em Loures, local do único reator nuclear do país e que está atualmente em fase de desativação.

Para o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, ”é o fim da era da energia nuclear e o início da era da saúde nuclear e tratamento do cancro. É um passo importante”.

A tecnologia com feixes de protões permite o tratamento eficaz de múltiplos tipos de cancro. Comparativamente com a radioterapia convencional é capaz de depositar mais energia e atingir maior profundidade nos tecidos, com menos efeitos secundários.

Nesta futura unidade, que vai ser integrada no SNS, prevê-se que sejam inicialmente tratados 500 doentes, podendo mais tarde chegar aos 750 por ano. Estima-se que cerca de 15% dos doentes submetidos a terapias convencionais poderiam ser tratados com protões.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

Acabamos de publicar novas ferramentas na Tonic App, sobre espondilartrite axial & psoríase, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Reumatologia e da Novartis:

❥ Ferramenta para apoiar o diagnóstico e a referenciação da espondilartrite axial. Procura na secção Como Referenciar?
❥ Atlas para ajudar no diagnóstico da psoríase. Procura na secção Atlas.
❥ Escalas para avaliação da gravidade (PASI) e da qualidade de vida (DLQI) dos doentes com psoríase. Procura-as na secção Calculadoras Médicas.
❥ Informação sobre as diferentes opções terapêuticas na psoríase. Procura na secção Como Tratar?

Que outras patologias e ferramentas gostarias de ter na Tonic App? 🤔
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Bom fim de semana,

Sofia Fernandes