Mais médicos do que assistentes operacionais, excesso de horas extra e prestação de serviços e vagas nas maternidades por preencher

27 Setembro 2019

Olá 🙂

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) perdeu, entre 2011 e 2018, perto de 2000 assistentes operacionais. Atualmente são pouco mais de 25 mil. 

O Relatório Social do Ministério da Saúde e do SNS também deu conta que, ao longo do mesmo período, o número de assistentes técnicos também diminuiu para menos de 1600 trabalhadores.

Por outro lado, o número de enfermeiros e de médicos aumentou nos mesmos sete anos. Em 2018, os médicos eram o segundo maior grupo profissional do SNS, lugar anteriormente ocupado pelos assistentes operacionais.

Segundo o Presidente do Sindicato Independente dos Técnicos Auxiliares de Saúde (SITAS), Paulo de Carvalho, esta diminuição do número de auxiliares tem afetado os cuidados prestados aos doentes. “Há doentes que comem às três da tarde”, porque apenas existe um auxiliar por cada 20 doentes, alertou.

O dirigente sindical referiu ainda que, para além das barreiras à contratação, muitos dos auxiliares acabam por rapidamente desistir pois “não aguentam trabalhar por turnos, aos sábados, domingos e feriados pelo salário mínimo”.

Entretanto o Ministério da Saúde tem vindo a autorizar a contratação destes profissionais, sempre que “as situações são reportadas como necessárias”. Este ano está prevista a entrada de 710 assistentes operacionais e de 162 assistentes técnicos. Porém, Paulo de Carvalho considera este reforço “insuficiente”.

Sobre os gastos do SNS: o mesmo relatório relevou que, no ano passado, foram gastos 222 milhões de euros em horas suplementares no SNS.

O Presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, referiu que com este dinheiro “poderiam ter sido contratados 7500 profissionais, entre enfermeiros, médicos, auxiliares e técnicos de diagnóstico”.

A par das horas extraordinárias, os gastos com os médicos em regime de prestação de serviços também aumentaram quase 7,3% face a 2017, tendo ultrapassado os 105 milhões de euros em 2018.

Segundo Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, a soma dos gastos em prestação de serviços e em horas extraordinárias daria para contratar “mais de 5000 médicos para os quadros dos hospitais”.

As cinco unidades que mais recorreram à prestação de serviços foram o Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, o Centro Hospitalar do Médio Tejo, o Centro Hospitalar do Oeste, a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Passando para outro tema: cinco das 16 vagas que abriram para colocação de médicos recém-especialistas para as áreas de ginecologia / obstetrícia e anestesiologia nas quatro maternidades de Lisboa ficaram por preencher.

Segundo o Ministério da Saúde, no Centro Hospitalar Lisboa Norte, uma das quatro vagas de anestesiologia ficou por preencher. No Centro Hospitalar Lisboa Central, que gere a Maternidade Alfredo da Costa, duas das vagas de ginecologia / obstetrícia ficaram por ocupar e o mesmo aconteceu com a vaga aberta no Centro Hospitalar Lisboa Ocidental. Quanto ao hospital Amadora-Sintra, duas das três vagas para anestesiologia ficaram desertas.

Na opinião do Presidente da secção Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, as vagas não foram completamente preenchidas devido à penosidade da urgência e ao facto de o trabalho dos médicos ficar maioritariamente resumido a este serviço, o que acaba por afastar os profissionais.

Recurso às urgências: nos últimos dois anos, um terço dos portugueses que recorreu a este serviço dirigiu-se diretamente ao hospital e não aos centros de saúde.

O inquérito da Deco/Proteste, que contou a participação de 1330 portugueses, constatou que apenas 22% dos inquiridos telefonaram para a linha SNS24 antes de se dirigirem às urgências.

A escolha do hospital foi justificada, por perto de metade dos inquiridos, com facto de este apresentar “melhores condições para efetuar o tratamento”. Adicionalmente, 33% dos participantes disseram que “as urgências do centro de saúde estavam fechadas”. Na opinião de 29% dos inquiridos os profissionais de saúde dos hospitais estão “mais habilitados a lidar com situações difíceis”. O inquérito revelou que, entre os inquiridos que se deslocaram às urgências, 72% dirigiu-se a um hospital público, 16% preferiu os serviços privados e 12% os centros de saúde.

Relativamente à satisfação com urgências do hospital público, os inquiridos atribuíram uma nota de 6,4, numa escala de 1 a 10, tendo sido dado especial destaque à competência dos profissionais de saúde. Por outro lado, o tempo de espera por resultados de exames e o tempo de espera até observação médica obtiveram apenas 4,7 e 5,2 pontos, respetivamente.

Por último: no primeiro semestre de 2019 chegaram à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) quase 40 mil queixas sobre as unidades de saúde públicas, privadas e sociais.

Segundo a ERS, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte foi o estabelecimento público que recebeu o maior número de queixas. No setor privado foi o Hospital CUF Descobertas e no social foi o Hospital da Prelada da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

No que diz respeito a elogios, o Hospital Vila Franca de Xira, gerido em parceria público-privada, foi o que se destacou. No setor privado foi o Hospital da Luz – Lisboa e no setor social o Hospital Luciano de Castro em Anadia.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

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Bom fim de semana,

Sofia Fernandes