O SNS comentado no The Lancet, falta de pediatras e quem deve fazer ecografias obstétricas

18 Outubro 2019

Olá 🙂

A revista científica The Lancet alertou para o facto de o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não ir de encontro às necessidades da população e recomenda que a área da saúde seja uma prioridade do próximo governo.

Apesar de o editorial da revista começar por elogiar o “excelente progresso nos indicadores de saúde” dos portugueses, refere contudo que “Portugal é um dos únicos quatro países, entre os 33 países analisados, que reduziu a despesa pública de saúde entre 2000-2017”.

Segundo a Lancet, a falta de investimento no SNS está a “impedir a modernização de hospitais e a substituição de material médico obsoleto”, bem como a desmotivar os profissionais de saúde, levando-os a procurar emprego no sector privado e no estrangeiro.

Relativamente aos gastos com a saúde a cargo dos doentes, estes já representam 28% da despesa total na saúde. Esta despesa é “significativamente mais elevada do que a da média da União Europeia (15%)”.

A revista científica conclui que o governo terá de lidar com problemas nos extremos das faixas etárias. Por um lado, a taxa de pobreza infantil em Portugal está acima da média da União Europeia, enquanto que a população idosa está cada vez mais doente, com consequente decréscimo da sua qualidade de vida. O editorial pode ser lido na íntegra aqui.

Ainda sobre o SNS: em 2018 o prejuízo aumentou 145% face ao ano anterior, tendo atingido mais de 848 milhões de euros.

O Relatório de Contas do Ministério da Saúde e do SNS relativo a 2018 refere que este agravamento é, em grande parte, justificado pelo aumento dos gastos com recursos humanos, fornecedores e serviços externos. Por outro lado, assistiu-se a uma diminuição, na ordem dos 358 milhões de euros, dos pagamentos em atraso a fornecedores externos.

Apesar destes gastos, 2018 foi o ano em que se fizeram mais cirurgias programadas e em que o número de doentes sem médico de família foi o mais baixo de sempre.

A falta de pediatras na região de Lisboa e Vale do Tejo continua a ser um problema, levando ao encerramento temporário da urgência de pediatria do Hospital Garcia de Orta.

Durante esta semana a urgência de pediatria do Hospital Garcia de Orta encerrou duas vezes, nas noites de 12 e 14 de outubro. O Presidente do Conselho de Administração deste hospital, Luís Amaro, garantiu que o problema está resolvido até dia 18 de outubro e lembrou que a falta de pediatras é um problema “estrutural” e comum a todos os hospitais do país.

Uma eventual solução para este problema pode passar pela criação de um protocolo com a União das Misericórdias Portuguesas, cujo objetivo será a mobilização de pediatras do norte do país, região com maior número destes especialistas, para trabalhar na urgência de pediatria do Hospital Garcia de Orta, sobretudo durante o fim de semana.

Entretanto, o Ministério da Saúde admitiu que as urgências de pediatria e de ginecologia / obstetrícia da Grande Lisboa podem vir a funcionar num sistema de rotatividade ou contar com um reforço de médicos dos cuidados de saúde primários.

Marta Temido referiu que o objetivo é ter, dentro de 30 a 40 dias, alternativas de funcionamento com “melhor eficiência e satisfação dos profissionais e não termos interrupção na resposta das urgências”.

O Bastonário da Ordem dos Médicos também já se pronunciou sobre este assunto, considerando que o encerramento da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta representa uma “falência do Ministério da Saúde e do Estado”. Miguel Guimarães acrescentou que “é inaceitável e incompreensível que a situação não tenha sido ainda resolvida”, uma vez que os médicos já no ano passado alertaram para a falta de recursos humanos.

O Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal alertou para o facto de haver médicos a realizar ecografias obstétricas sem competência nesta área.

O Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, Luís Graça, lembrou que ter a especialidade em ginecologia / obstetrícia não é suficiente para realizar ecografias obstétricas, pois esta competência “é pós-graduada em relação à especialidade”.

Luís Graça referiu ainda que a Ordem dos Médicos deveria criar, no Colégio da Especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, uma competência específica para a ecografia obstétrica, nomeadamente a morfológica.

Relativamente ao caso particular do bebé que nasceu com malformações graves no Centro Hospitalar de Setúbal, o médico preferiu não comentar.

Por último: a procura dos testes para o autodiagnóstico do vírus VIH está a ser superior às expectativas.

Desde o início do mês de outubro já foram vendidos 171 testes em todo o país. A responsável pelo Programa Nacional para a Infeção VIH / SIDA da Direção-Geral da Saúde (DGS), Isabel Adir, disse ter ficado “surpreendida com uma adesão tão expressiva logo na primeira semana” e que “sabíamos que havia uma franja da população à espera de autotestes, e que até aqui possivelmente fazia a aquisição através da Internet.”

Estes testes de autodiagnóstico podem ser comprados nas farmácias comunitárias, permitindo o autodiagnóstico no domicílio. Além do vírus VIH, permitem ainda o rastreio de infeção pelo vírus da hepatite B e hepatite C.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

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Bom fim de semana,

Sofia Fernandes