Ordenados dos médicos a diminuir, urgência do Santa Maria em colapso e novo robô cirúrgico no Curry Cabral

8 Novembro 2019

Olá

Os ordenados dos médicos portugueses foram os que mais diminuíram entre os países da OCDE.

O relatório Health at a Glance 2019 analisou a evolução das remunerações dos médicos, entre 2010 e 2017, em 11 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). Segundo este documento, Portugal foi o único país onde os ordenados dos médicos de medicina geral e restantes especialidades baixaram. Em média, por ano, os ordenados diminuíram 1,3% e 0,9%, respetivamente.

Por outro lado, o relatório refere que nos outros países a “remuneração dos médicos aumentou desde 2010, mas a ritmos diferentes entre os vários países e entre médicos especialistas e clínicos gerais”.

Para os sindicatos dos médicos e a Ordem dos Médicos, os baixos salários e a degradação das condições de trabalho são duas das razões que têm conduzido à saída dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Nestas circunstâncias, trabalhar em instituições privadas ou optar pela emigração torna-se cada vez mais atrativo.

A falta de condições de trabalho na urgência do Hospital de Santa Maria levou 21 chefes de equipa a pedir escusas de responsabilidade.

Segundo os médicos deste hospital, que integra o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN), não estão reunidas as condições necessárias para a “prestação de cuidados de saúde de qualidade e com a necessária segurança”. Os profissionais de saúde referiram que as equipas escaladas para as urgências “não cumprem os mínimos recomendados pelo Colégio da Especialidade de Medicina Interna”, sobretudo ao fim-de-semana e em período noturno.

Desta forma, os médicos não assumem “qualquer responsabilidade pelos acidentes ou incidentes que possam verificar-se em resultado das deficientes e anómalas condições de organização do serviço causadas pela insuficiência de meios humanos”.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul responsabiliza a administração do CHULN pela “gestão danosa de recursos humanos” e os vários governos pela “política desastrosa” no SNS.

Apoio aos doentes após alta hospitalar: Hospital de Santa Maria com ala para doentes com alta clínica e Estatuto do Cuidador Informal.

O Hospital de Santa Maria vai ter, a partir de meados de dezembro, uma ala com 26 camas para os doentes que já tiveram alta hospitalar, mas que aguardam vaga em lares ou na rede de cuidados continuados.

O diretor clínico do CHULN, Luís Pinheiro, referiu que o objetivo é libertar camas do internamento para os doentes agudos. Luís Pinheiro explicou ainda que este espaço terá acompanhamento de enfermagem permanente, correspondendo a uma situação intermédia entre uma enfermaria e um lar.

O CHULN quer também melhorar os processos internos de forma a diminuir o tempo de internamento e evitar que os doentes permaneçam internados em macas. Ainda no âmbito da diminuição da sobrelotação dos internamentos, o centro hospitalar quer avançar com a hospitalização domiciliária e melhorar a articulação com os cuidados de saúde primários.

A resolução da sobrelotação dos hospitais de agudos com utentes já sob alta clínica pode passar ainda por um maior apoio aos cuidadores informais. Nesse sentido, Marcelo Rebelo de Sousa salientou a importância da aplicação efetiva do Estatuto de Cuidador Informal. Este estatuto foi publicado em Diário da República em setembro e o Governo tem quatro meses para identificar as medidas legislativas ou administrativas necessárias para o reforço da proteção laboral dos cuidadores informais não principais.

Portugal é dos países da OCDE com maior prevalência de demência e maior número de infeções nos cuidados continuados.

De acordo com o relatório Health at a Glance 2019, Portugal está entre os quatro países da OCDE com uma maior prevalência de demência, com cerca de 20 casos por 1000 habitantes. Este número pode mesmo duplicar em 2050 e chegar aos 40,5 casos por 1000 habitantes.

A idade é o principal fator de risco para a demência. De facto, e segundo o relatório da OCDE, a sua prevalência aumenta de 2,3% em indivíduos entre os 65 e 69 anos, para cerca de 42% em indivíduos acima dos 90 anos.

O mesmo relatório refere ainda que Portugal é dos países da OCDE com maior percentagem de infeções nos cuidados continuados, com uma incidência de 5,9% no período compreendido entre 2016 e 2017, valor bastante acima da média dos restantes países (3,8%).

A salientar ainda que, segundo este relatório, o isolamento de bactérias resistentes a antibióticos em utentes das unidades de cuidados continuados portuguesas apresenta uma das percentagens mais elevadas, correspondendo a 46,2%, quase o dobro da média da OCDE (26,3%).

Por outro lado, o SNS continua a tentar inovar: o Hospital Curry Cabral irá receber um novo robô cirúrgico para tratar neoplasias.

Segundo o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, o equipamento de cirurgia robótica é capaz de “alcançar com grande rigor zonas do organismo de difícil acesso, aumentando a precisão cirúrgica e reduzindo as perdas de sangue e o risco de dano anatómico involuntário”.

O robô é sobretudo eficaz em cirurgias direcionadas para o tratamento da neoplasia da próstata, reto, fígado e pâncreas.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

Sabias que abriram 2110 vagas para o internato de formação geral?
Consulta as unidades de saúde a que te podes candidatar na secção Vagas para Médicos!

A Tonic App esteve presente no palco principal da Web Summit!
Esta semana abrimos a Web Summit para mais de 15 000 pessoas e apresentamos o nosso projeto no dia da saúde!
Clica aqui para veres o vídeo!

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Bom fim de semana,

Sofia Fernandes