Críticas à nova prova de acesso, discussão sobre a obrigatoriedade de permanência no SNS e fecho de mais uma maternidade

22 Novembro 2019

Olá

A nova prova de acesso à formação especializada foi considerada demasiado extensa para ser realizada em apenas quatro horas.

Ao contrário do velho e temido “Harrison”, a nova prova, constituída por 150 questões, assenta no raciocínio e na resolução de casos clínicos.

Apesar de na generalidade os candidatos terem concordado com o tipo de perguntas e de exame, uma vez que implica um melhor exercício do conhecimento médico, o “tempo para a sua resolução não é suficiente para responder”.

Um dos jovens médicos considerou que o processo de seleção era “injusto” e que “se o objetivo era testar o raciocínio, os enunciados deviam ser mais pequenos”. “Muitos não conseguiram, sequer, completar a prova”, concluiu.

À saída da prova, que este ano contou com mais de 2500 candidatos, a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) recolheu assinaturas com o intuito de sensibilizar o Governo para “a falta de planeamento de recursos humanos”. Para o Presidente da ANEM, esta falta de planeamento tem levado a um aumento do número de médicos que não conseguem uma vaga na especialidade e que, como tal, vão ter de trabalhar como indiferenciados.

Bastonário contra a obrigatoriedade de os médicos especialistas permanecerem no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Apesar de ainda não conhecer detalhes, Miguel Guimarães alertou que “obrigar os médicos a ficar é destruir o SNS”.

O Bastonário defende que a continuidade no sector público deveria ser negociada com os médicos, mas deveriam ser criadas “condições para que isso possa acontecer”.

Marta Temido explicou que apenas será “equacionada a celebração de pactos de permanência no SNS após a conclusão da futura formação especializada”.

Numa altura em que o regime de exclusividade volta a ser debatido: dados da Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS) revelaram que menos de metade dos médicos dos hospitais públicos trabalham em exclusividade.

Em julho deste ano, dos 13.052 médicos no sector empresarial do Estado, apenas 5.604 (49,2%) tinham exclusividade.

A Ministra da Saúde defende que o regresso a este tipo de regime, que tinha sido extinto em 2009, pode aumentar a produtividade. No entanto, o Ministro das Finanças diz que prefere apostar na melhoria da gestão dos hospitais.

Apesar de o Bastonário concordar com a reinstituição do regime de dedicação exclusiva, referiu que a obrigatoriedade pode fazer com que muitos médicos abandonem o SNS. “Se o Estado obrigar a que os médicos que ocupam cargos de direção estejam em dedicação exclusiva, vamos ter um problema”, acrescentou.

Por outro lado, João Proença, da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), defende que o único fator que pode afastar os diretores de serviço “é não darem condições de trabalho, nem condições remuneratórias, nem outras, como férias ou formação”.

Ainda sobre o fecho da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta: cerca de 200 utentes realizaram uma vigília contra o encerramento.

A população de Almada e Seixal concentrou-se em torno do hospital exigindo que a urgência pediátrica esteja “aberta de noite e dia”.

Para os utentes, a alternativa que a Ministra arranjou para colmatar o problema não é solução. Os centros de saúde devem estar abertos, mas um “serviço de atendimento permanente não é uma urgência pediátrica”.

Entretanto, Marta Temido assegurou que o encerramento é temporário e que tentará que “dure o menos tempo possível”.

Uma outra instituição do SNS que também está em risco de fechar devido à falta de médicos é a Maternidade de Castelo Branco.

Segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Centro, a última contratação de médicos ocorreu em 2014. O Sindicato revelou que há médicos a trabalhar 72 horas consecutivas nas urgências de obstetrícia.

Passando para outro tema: nos últimos 25 anos as mortes por cancro do pâncreas mais que duplicaram em Portugal.

Um estudo divulgado pela Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia apurou que, entre 1991 e 2015, o número absoluto de mortes provocadas por este tumor aumentou de 701 para 1.415. Em 2017, as mortes devido a esta doença totalizaram 1.535.

Um dos dados “mais alarmantes” do estudo é que atualmente o crescimento da mortalidade é mais acentuada entre os 50 e os 54 anos. Se esta tendência se mantiver, no futuro as mortes devido a este tumor podem ocorrer em idades cada vez mais precoces.

Terminamos com boas notícias: A Fundação Champalimaud cria prémio de investigação do cancro, Hospital Universitário do Porto desenvolve Via Verde do cancro do pulmão e protocolo recupera Hospital de Santa Cruz.

 A Fundação Champalimaud criou um prémio de um milhão de euros para reconhecer “trabalhos de investigação básica e clínica inovadores e com grande impacto no controlo e cura do cancro”. O Prémio Botton-Champalimaud do Cancro vai ser atribuído já a partir de 2020.

O Centro Hospitalar e Universitário do Porto conseguiu, através da criação de uma Via Verde, reduzir, num ano, o tempo médio entre a primeira avaliação de doentes com cancro do pulmão e o início do tratamento de 103 para 76 dias.

Um protocolo assinado entre o Ministério da Saúde e a Câmara de Oeiras vai possibilitar a recuperação e a ampliação do centro de referência de cardiopatias congénitas, transplante cardíaco e transplante renal do Hospital de Santa Cruz.

Este projeto, que está integrado no Plano de Investimento do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, irá, segundo Marta Temido, permitir ao hospital “a consolidação do seu perfil assistencial reforçando as condições de conforto, funcionalidade e eficiência necessárias ao desenvolvimento da atividade clínica e proporcionando aos utentes e às famílias uma melhoria muito importante nas condições de acolhimento que hoje são oferecidas”.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

A Tonic App está mais rápida! Temos trabalhado nos últimos meses para que demores cada vez menos a consultar os recursos médicos que precisas!

Esta semana disponibilizamos ainda um folheto com informação para doentes sobre patologia da coluna, que podes enviar diretamente da Tonic App por email, sem expor os teus contactos pessoais. Encontra-o na secção Literacia para a Saúde.

Este folheto faz parte da campanha “Olhe pelas suas costas”, apoiada pela Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia e Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, Powered by Medtronic.

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Bom fim de semana,

Sofia Fernandes