Curso de Medicina chumbado, cada vez mais médicos a emigrar e sem formação específica e os hospitais de Coimbra e Faro sem especialistas na urgência

06 Dezembro 2019

Olá

Curso de Medicina da Universidade Católica chumbado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.

Para esta decisão contribuíram falhas relativas a questões pedagógicas, a discordância da Ordem dos Médicos (OM) relativamente a uma disciplina e o tempo insuficiente de prática clínica.

A sobreposição de oferta do curso de Medicina na região de Lisboa, o facto de parte do pessoal docente ser retirado da Universidade de Lisboa e da Universidade NOVA de Lisboa e a insuficiente componente de investigação cientifica, foram outros dos fatores negativos apontados pelo Presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), Alberto Amaral.

Por outro lado, e segundo a opinião da Universidade Católica, a A3ES violou o “princípio leal da concorrência” e como tal, a universidade já apresentou recurso da decisão e uma nova proposta.

Cada vez mais médicos estão a pedir certificados para exercer no estrangeiro.

A OM recebeu, entre janeiro e agosto deste ano, 253 pedidos de certificados para exercer no estrangeiro. Se a média mensal se mantiver, no final do ano, é possível que se atinja as 400 solicitações.

O que motiva os médicos a sair de Portugal é, principalmente, a degradação das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde (SNS). No estrangeiro os médicos encontram melhores salários, horários e ritmos de trabalho, assim como qualidade de formação e um papel mais interventivo dos enfermeiros. De facto, enquanto que em Portugal um especialista recebe 1330 euros, em França esse valor varia entre 2000 e 5000 euros e na Suíça entre 5500 e 6000 euros.

Marta Temido acredita que “não há uma relação direta” entre os números divulgados e a emigração. A Ministra admite que há casos em que as licenças são pedidas para exercer ou realizar formações temporariamente no estrangeiro, mas considera que esse esclarecimento compete à OM.

O número de médicos sem formação especializada vai aumentar nos próximos anos.

O relatório da autoria externa e independente, realizada pela EY, ao processo do internato médico indica que as vagas para o internato de formação específica não têm sido suficientes para colmatar o “acentuado aumento” de candidatos, prevendo assim um aumento progressivo do número de médicos sem formação especializada.

Em 2018, 37% dos candidatos ficaram sem acesso à especialidade. Este valor não parece estar relacionado com um maior número de alunos que terminam o curso de Medicina. No entanto, à medida que mais candidatos vão ficando de fora, o problema acumula-se de ano para ano.

A auditoria considera ainda que há falhas no processo de avaliação das capacidades de formação dos médicos no SNS e que a avaliação “tem sido subjetiva e pouco documentada”. Segundo o Bastonário da OM, as falhas apontadas por esta auditoria “são subjetivas” e carecem de uma maior fundamentação.

As urgências continuam sem especialistas: em Coimbra há défice de internistas e em Faro os cirurgiões recusam horas extraordinárias.

A partir de 14 de dezembro, o serviço de urgência do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), vai contar apenas com dois médicos de Medicina Interna, menos de metade do que deveria ter. Segundo o Presidente da Secção Regional do Centro da OM, Carlos Cortes, durante esta época festiva o CHUC não vai ter “capacidade para atender todos os doentes, como também para lhes dar as melhores condições de tratamento”.

Mais a sul, no Centro Hospitalar Universitário do Algarve, os cirurgiões recusam fazer trabalho suplementar no serviço de urgência. Durante o mês de dezembro, alguns dos turnos da urgência não vão ter nenhum cirurgião e noutros casos a escala será assegurada por médicos externos contratados. Segundo os médicos, a degradação das condições de trabalho acentua “a probabilidade de cometimento involuntário de erro clínico”, além de que já terão sido ultrapassadas as 200 horas de trabalho suplementar anuais previstas na lei.

Portugal gasta menos dinheiro com a saúde, mas cerca de um terço dos gastos são suportados pelos portugueses.

O relatório da Comissão Europeia, Situação da Saúde na União Europeia 2019, revelou que Portugal gasta menos 855 euros per capita por ano do que a média dos países analisados, conseguindo, apesar disso, manter uma baixa taxa de mortalidade por causas evitáveis e tratáveis.

No que diz respeito ao investimento na prevenção, Portugal está muito abaixo da média (3,2%), gastando cerca de 36 euros per capita, o que corresponde a apenas 1,8% do total das despesas em saúde.

Este relatório analisou ainda os gastos dos portugueses com a saúde e concluiu que 27,5% do total das despesas da saúde não são reembolsadas, ou seja, são suportadas diretamente pelos utentes. Este valor é bastante acima da média da União Europeia (15,8%), o que segundo os peritos “pode minar a acessibilidade e contribuir para empobrecer os agregados familiares”.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

Temos mais uma ótima notícia! O Dr. François Sarkozy, um dos médicos mais importantes de França, é o nosso novo Presidente do Conselho de Administração.
A sua ajuda vai ser essencial na nossa expansão europeia e na melhoria da Tonic App!   Esta contratação é também uma validação do nosso projeto, made in Portugal!

Estamos a criar uma tradição de Natal na Tonic App!
À semelhança de 2018, vamos fazer uma doação a uma instituição de solidariedade médica!
O ano passado foi a Missão Humanitária Be_alive a escolhida.
Contamos com a vossa ajuda para escolher a nova organização! Envia-nos a tua sugestão para o email: sofia@tonicapp.com.

Segue-nos no Facebook ou Instagram em @tonicapp.pt.

Bom fim de semana,

Sofia Fernandes