Braga e Amadora-Sintra sobrelotados, medidas contra agressões e valorização da carreira médica, saúde pública desaproveitada com juntas e SNS 24 para doentes oncológicos

10 Janeiro 2019

Olá

Elevada afluência provoca sobrelotação no Hospital de Braga e desvio de doentes do Hospital Amadora-Sintra.

Esta semana, a Unidade de Decisão Clínica 2 do serviço de urgência do Hospital de Braga chegou a ter 40 doentes, quando a sua capacidade máxima é de 16 utentes.

Segundo informação do Hospital de Braga, “o serviço de urgência tem vindo a registar um aumento de afluência diária de utentes” e “em determinados períodos do dia, podem ocorrer algumas situações pontuais de sobrelotação”, considerando ainda que “esta afluência sazonal de utentes não coloca em causa a qualidade dos cuidados de saúde prestados”.  

Já no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, na Amadora, devido ao elevado número de casos de gripe e infeções respiratórias, os doentes foram aconselhados a procurar outros centros hospitalares e as ambulâncias desviadas para outros hospitais.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) já aconselhou a população a que procure apoio hospitalar apenas em casos graves, devendo nas outras situações contactar o SNS 24 ou procurar o seu médico no centro de saúde.

Agressões contra médicos: Ministério da Saúde cria gabinete de segurança, médicos pedem botão de pânico e lançam petição.

O Ministério da Saúde quer acompanhar e prevenir os atos de violências cometidos contra profissionais de saúde e como tal vai criar um gabinete de segurança. Marta Temido assegurou que vai ser instalada “uma unidade que garanta que a preocupação é constante em todo o ciclo de gestão de toda a organização do sistema de saúde”.

Adicionalmente, o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, explicou que “irá colocar um oficial das forças de segurança junto do gabinete da Ministra da Saúde, que irá coordenar a avaliação das áreas de maior risco identificadas pelas forças de segurança”.

Por seu turno, a Ordem dos Médicos (OM) pediu ao Ministério da Saúde a instalação de botões de pânico nos consultórios para os médicos utilizarem sempre que receiem ser agredidos pelos utentes. Miguel Guimarães acredita que esta medida vai diminuir a quantidade de agressões, uma vez que “as pessoas vão pensar duas vezes antes de agredirem”.

Esta semana, um grupo de 13 médicos lançou uma petição intitulada “Não à violência sobre os profissionais de saúde”, a qual já tem mais de 6000 assinaturas. A petição, que os médicos querem que seja apreciada no Parlamento, refere que a frequência e gravidade das situações de agressão que têm ocorrido “merecem uma proteção especial para os profissionais de saúde em sede de medidas legislativas que criminalizem, especialmente, este tipo de violência tornando mais céleres e punitivas estas medidas”.

Sindicatos dos médicos apresentaram seis propostas para combater os problemas no Serviço Nacional de Saúde.

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) defendem que a carreira médica tem de ser valorizada para “atrair e reter os médicos no Serviço Nacional de Saúde” e como tal propuseram aos grupos parlamentares incluir nas grelhas salariais a possibilidade de dedicação exclusiva dos médicos, uma tabela de valorização do trabalho em urgência, bem como a redução dos horários dos turnos de urgência de 18 para 12 horas.

A FNAM e o SIM propõem ainda rever o número de utentes por médico de família, a criação de um estatuto de “desgaste rápido, risco e penosidade acrescidos para a profissão médica” e medidas de “proteção e segurança” nos locais de trabalho.

Organizações médicas recomendam que os especialistas em saúde pública deixem de participar nas juntas médicas de avaliação de incapacidade.

A OM, os sindicatos e as associações médicas defendem que os especialistas em saúde pública deveriam estar a exercer de facto as suas funções, em vez de gastarem grande parte do seu tempo na realização de juntas médicas de avaliação de incapacidade.

Na opinião do Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, a alocação dos médicos a este tipo de tarefas essencialmente “burocráticas” impede-os de se dedicarem às suas tarefas essenciais, que passam pela prevenção da doença e promoção da saúde, como a monitorização da vacinação, deteção e controlo de focos de doenças ou de problemas de origem ambiental com impacto na saúde.

O Bastonário da OM, defende que os médicos de saúde pública estão a ser “completamente desaproveitados” e que é frequente a queixa de que o trabalho nas juntas médicas lhes ocupa “o tempo praticamente todo”, havendo inclusive médicos “que praticamente só fazem juntas médicas”.

Após reunião para discussão deste problema, a OM, os sindicados e as associações médicas, pediram uma reunião urgente com a Ministra da Saúde e recomendaram aos médicos que “solicitem a exoneração ou não aceitem ser nomeados como membros de junta médica de avaliação de incapacidade”.

SNS 24 com algoritmos específicos para doentes oncológicos sob tratamento.

O serviço do Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde, SNS 24, específico para doentes oncológicos em tratamento vai abrir este mês e estará disponível 24 horas por dia. Este serviço foi desenvolvido em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Oncologia, com contributos da DGS, e tem como objetivo dar resposta a complicações ligeiras que estes doentes possam desenvolver. 

Segundo a coordenadora do SNS 24, Micaela Monteiro, “muitas vezes é difícil conseguir falar com a equipa que normalmente cuida destes doentes quando essas situações surgem à noite ou ao fim de semana”. Nesse sentido, foi criado “um serviço disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, em que há algoritmos específicos”.

Deste modo, evita-se que os doentes oncológicos tenham de se dirigir ao serviço de urgência, que “além de desconfortável, é também um sítio onde existe o risco de contrair uma infeção”.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

Esta semana lançamos a calculadora do nível de saturação de transferrina!
Experimenta-a na secção Calculadoras Médicas!
A Tonic App está registada no Infarmed como dispositivo médico, para garantir a segurança técnica e científica dos seus algoritmos. 

Segue-nos no Facebook ou Instagram em @tonicapp.pt.

Bom fim de semana,

Sofia Fernandes