Coronavírus em Portugal e no mundo, CHUC retoma transplantes hepáticos, IPO com longa espera para cirurgia e Figueira da Foz terá novo bloco

28 Fevereiro 2019

Olá

Coronavírus no mundo: surto chega à Europa e número de casos aumenta exponencialmente fora da China.

Apesar de o número de novos casos de infeção por coronavírus estar a reduzir na China, fora deste país, o número de doentes tem aumentando exponencialmente. Na Europa há já mais de 800 casos confirmados, dos quais cerca de 700 em Itália, e foi já documentada transmissão na comunidade em vários países.

A União Europeia (UE) salienta que a situação não é, para já, motivo de pânico, garantindo que está a trabalhar “em todas as frentes” para prevenir a propagação do novo coronavírus na Europa. Segundo a UE, é necessária coordenação dos Estados-membros “em tempo real” para enfrentar um fenómeno que é “dinâmico”.

Relativamente ao controlo ou reposição de fronteiras dentro da UE, a Comissão Europeia salientou esta quinta-feira que “até ao momento, nenhum Estado-membro sinalizou a intenção de introduzir controlo nas fronteiras internas da UE” e que, caso o queiram fazer, terá que ser o próprio país a avançar com as medidas.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) refere que não há restrições para viajantes que regressem de áreas com transmissão comunitária ativa. No entanto, aconselha estes cidadãos a realizar vigilância sintomática durante os 14 dias após regresso e a contactar a linha SNS 24 caso desenvolvam sintomas.

Coronavírus em Portugal: DGS altera definição de caso suspeito e alarga rede hospitalar e laboratorial.

Em Portugal, foram já registados 51 casos suspeitos, dos quais 36 com teste laboratorial negativo, aguardando-se o resultado dos restantes casos.

Tendo em conta a evolução do quadro epidémico da COVID-19, a DGS atualizou esta semana a definição de caso suspeito. Os critérios foram alargados para doentes sintomáticos independentemente da gravidade, que tenham regressado nos últimos 14 dias de países com transmissão ativa, passando a lista destes países a incluir outras regiões além da China. A DGS emitiu ainda informação relativa aos cuidados necessários para os cidadãos regressados de áreas com transmissão comunitária ativa.

Adicionalmente, a DGS está também a reforçar as medidas de prevenção, rede de laboratórios e hospitais disponíveis para receber casos suspeitos.

No que diz respeito à capacidade laboratorial, para além do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, os laboratórios do Centro Hospitalar Universitário de São João, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e Hospital Curry Cabral são já capazes de realizar teste confirmatório para o SARS-CoV-2.

Relativamente à rede hospitalar, o Centro Hospitalar Universitário do Porto, o CHUC, o Hospital de Santa Maria e o Hospital de São José estão capacitados para receber casos suspeitos, contabilizando assim um total de cerca de 2000 quartos de isolamento, dos quais 300 com pressão negativa.

Paralelamente, a Linha de Apoio Médico, para onde os médicos podem ligar para esclarecer dúvidas, está também a ser reforçada.

Apesar das medidas da DGS, os portugueses estão também a preparar-se para um eventual surto de coronavírus em Portugal. Nas farmácias portuguesas as máscaras cirúrgicas e a solução desinfetante estão esgotadas. Algumas instituições também já tomaram medidas preventivas, nomeadamente a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra que suspendeu provisoriamente todas as aulas práticas que envolvem o contacto com doentes.

Transplantes hepáticos em Coimbra: retomada entrada de doentes em lista de espera.

A admissão de novos doentes em lista de espera para realização de transplantes hepáticos no CHUC esteve cinco meses suspensa. A existência de um surto no internamento, no ano passado, por uma Enterobacteriaceae produtora de carbapenemase e a falta de recursos humanos limitaram os transplantes de fígado em adultos apenas aos casos urgentes de doentes internados.

Entretanto a Unidade de Transplantes do CHUC foi reestruturada e já recomeçou a aceitar doentes para a lista de espera. O Presidente do conselho de administração deste hospital, Fernando Regateiro, ressalva, no entanto, que ainda é necessário criar “as condições para agregar, especialidade a especialidade, as equipas e criar as condições para a respetiva remuneração”, esperando que antes do final do primeiro semestre a resposta esteja completamente consolidada.

IPO de Lisboa: tempo de espera das cirurgias ultrapassa limite definido por lei.

O tempo de espera de mais de metade das cirurgias (51%) realizadas no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa Francisco Gentil ultrapassa o tempo máximo permitido por lei. Nos últimos três anos, os tempos médios de espera têm aumentado progressivamente, passando de 105 dias em 2017 para 149 em 2019. O Presidente do IPO de Lisboa, João Oliveira, justifica estes números com o aumento da complexidade dos tratamentos e com os constrangimentos provocados pelas obras de requalificação do bloco operatório.

Para colmatar este problema, os doentes podem usufruir de um vale-cirurgia que lhes permite realizar a intervenção cirúrgica no privado. No entanto, apenas 1% dos doentes aceita esta alternativa. Segundo o Presidente do IPO de Lisboa, os doentes recusam o vale-cirurgia pois preferem ser atendidos por uma entidade especializada em doenças oncológicas.

Hospital Distrital da Figueira da Foz: Governo investe na remodelação do bloco operatório.

O Ministério da Saúde autorizou um investimento de 2,9 milhões de euros para remodelar o bloco central do Hospital Distrital da Figueira da Foz. Este investimento tem como objetivo aumentar a segurança dos doentes e dos profissionais, bem como a eficiência e a qualidade dos cuidados prestados e, por outro lado, reduzir a lista dos doentes inscritos para cirurgia.

De acordo com Marta Temido, esta intervenção permitirá “criar um serviço autónomo, apto à prestação ao melhor nível de cuidados cirúrgicos e anestésicos especializados para cirurgia convencional e em ambulatório”. O hospital passará a dispor de duas salas para cirurgia convencional, uma para cirurgia de ambulatório e uma sala polivalente destinada a cirurgia de ambulatório e cirurgia de urgência.

Durante a semana, a comunicação social foi também dando destaques a outros assuntos. Eis alguns que foram partilhados no Twitter:

Esta semana lançamos o termómetro de fevereiro da Tonic App!

Este é o top 5 das doenças infeciosas mais pesquisadas no nosso motor de busca das NOCs, durante este mês:

  1. Pneumonia (15%)
  2. Coronavírus (14%)
  3. Infeção do trato urinário (13%)
  4. Amigdalite (11%)
  5. Otite (7%)

Consulta a nova Orientação da DGS sobre infeção por coronavírus com a mais recente atualização da definição de casos suspeito, na secção NOCs!

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Bom fim de semana,

Sofia Fernandes